Quando todo o mundo estará vacinado contra a Covid-19?

Vacinas têm papel fundamental no retorno do mundo ao novo normal pós-pandemia.

0 126

“As vacinas oferecem uma grande esperança para reverter a maré da pandemia“, afirmou o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista à BBC. “Mas para proteger o mundo”, ele complementou, “devemos garantir que todas as pessoas em risco em todos os lugares — e não apenas em países que podem pagar pelas vacinas — sejam imunizadas”.

É consenso que as vacinas terão um papel essencial na volta do mundo ao novo normal pós-pandemia, porém existem muitos obstáculos que farão com que o percurso seja mais longo para alguns do que para outros.

Outras dificuldades existem por conta da resistência de novas variantes à vacina, assim como por gargalos de produção e problemas de fornecimento. Essas ações restringem a imunidade global do rebanho, que é o intuito principal da luta contra Covid-19.

Como anda a vacinação contra Covid-19?

Os programas de imunização contra o novo coronavírus iniciaram em muitos países, mas há uma discrepância entre oferta e demanda. Segundo informações do Our World in Data (OWID), aproximadamente 565 milhões de doses foram administradas em 138 países até o momento. Apenas em 30 de março, houve registro de cerca de 13,9 milhões de doses.

O número pode parecer alto, só que com a população global um pouco inferior a 7,8 bilhões, o quantitativo é suficiente para dar uma única dose a somente 7,2% da população da Terra. E caso permaneça nesse ritmo, levará mais três anos para que todos sejam vacinados em todo mundo. Ainda mais porque quase todas vacinas atuais exigem duas doses para alcançar seu efeito total.

De acordo com a empresa de pesquisa e análises, Economist Intelligence Unit (EIU), é estimado que a maioria da população adulta nas economias avançadas seja vacinada apenas em meados de 2022.

No caso dos países de renda média, o cronograma é ampliado até o final de 2022 ou até mesmo começo de 2023. Por outro lado, as nações mais pobres do mundo podem ter que aguardar até 2024 para que a imunização em massa ocorra. Mas isso são expectativas.

Quais vacinas estão sendo usadas?

A primeira vacina a ser aprovada por agências reguladoras foi a Pfizer-BioNTech. A princípio, o aval foi feito pelo Reino Unido, em 2 de dezembro de 2020, depois pelos Estados Unidos (EUA), União Europeia e OMS.

Outras vacinas vieram em seguida, como a Moderna, feita nos EUA; a AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford, do Reino Unido; a Sinopharm e Sinovac, da China; e a Sputnik V, da Rússia.

Há pouco tempo, resultados de testes em grande escala com outras duas vacinas também foram divulgados. É o caso da Janssen, de propriedade da Johnson & Johnson, e do Novavax, devendo ser revisado por reguladores de medicamentos.

Em Israel e no Reino Unido, já há indícios promissores de que as vacinas estejam diminuindo as internações e mortes em hospitais. Também são apresentadas reduções de transmissão em comunidade.

Em um contexto mundial, mais de 200 vacinas passam por testes de eficácia e segurança. Se aprovadas e produzidas, elas podem elevar exponencialmente os programas globais de imunização.

Entretanto, ainda que com o esforço para projetar, fabricar e aprovar vacinas em tempo recorde, a distribuição global é desigual e possui diversos obstáculos.

Como alcançar a imunidade coletiva?

A imunidade de rebanho é obtida quando um quantitativo significativo da população é imunizado, que costuma ser por vacinação. Assim, as pessoas protegem as demais por não propagarem mais a doença.

No entanto, o percentual é distinto para cada doença. Como a Covid-19 se trata de um novo diagnóstico, o limite para ter a imunidade coletiva não é conhecida, mas os epidemiologistas apontam algo em torno de 70%.

Mas conforme a pandemia entra em seu segundo ano, os especialistas vão aos poucos elevando o número. O principal conselheiro médico do presidente norte-americano Biden, Anthony Fauci, reconheceu que avançou gradativamente suas estimativas ao decorrer do tempo e que crê que o número esteja entre 70% e 90%.

A vacinação erradicará o novo coronavírus?

Uma avaliação de especialistas da Universidade de Washington e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Christopher Murray e Peter Piot, sinalizam a necessidade de se aprofundarem os esforços globais de vacinação.

“A perspectiva de uma covid-19 persistente e sazonal é real”, relata relatório para o Journal of the American Medical Association, que indica a vacinação global como primeira etapa para controle da doença. Dessa forma, os programas de vacinação ainda têm uma função muito relevante a desenvolver.

A diretora de epidemiologia de doenças infecciosas do Imperial College de Londres, Azra Ghani, destaca que o intuito principal das vacinas contra o novo coronavírus é salvar vidas. E isso tem sido obtido tanto pelo fornecimento de imunidade aos vacinados quanto pela prevenção do contágio ao vírus.

“Dado que faz só pouco mais de um ano desde que o vírus foi identificado, o progresso feito no desenvolvimento e implementação de vacinas é sem precedentes. A ciência deste novo vírus ainda está evoluindo e um grande número de equipes de cientistas em todo o mundo está ativamente empenhado em testar e melhorar as vacinas candidatas”, acrescentou a profissional.

“Acredito que podemos estar otimistas de que com esses esforços será possível alcançar altos níveis de proteção direta e indireta que, embora não eliminando o vírus, permitirão que a vida volte ao normal”, finalizou.

Leia também: Boas notícias! Vacina contra Covid-19 têm apresentado efeitos positivos excelentes

você pode gostar também
Deixe um comentário